quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

LÁGRIMAS


Seguro em meus olhos as lágrimas tristes deste adeus tão breve.
Quisera eu prender-te aqui, num sopro de vida que já não era.
Quisera ainda assim, aliviar o fardo absurdo que te vergava, mas o teu sorriso de menino teimoso era bem mais forte.
A tua verdade embrulhava a vida num passo tão firme e convicente , que o mundo girava à tua medida e surpreendias todos...
No teu jogo, não havia vencidos. Tu eras o vencedor que graciosamente abdicava do prémio.
E parecias feliz, montanha acima, qual sísifo que carrega não a sua, mas as rochas de todos, numa crucifixão abnegada e sadia própria a qualquer mortal.
Magoava-me essa tua forma solitária e gratuita de pegares no mundo, por julgar que desafiavas os limites da sensatez sem te dares conta...
Mas a tua caminhada não tinha paragens, por se fazer tarde. Sei-o agora. E sei também que choraste por todos, nos martírios que não conseguimos vencer; vi essa culpa moída nos teus olhos crepitar em fogo ardente.
E nada mais foi brando no teu sentir. Nem o tempo, que sempre entretinha a tua esperança, quis mais ser compassivo.
Ou ... talvez o faz de conta tivesse mesmo de chegar ao fim.
Os teus silêncios, esses, nunca ninguém saberá se eram divinos ou se eram terríveis, porque tu partiste com um ar muito sereno, mas viveste completamente abandonado de ti.




"Memórias do meu irmão RUI"

maria
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