domingo, 25 de julho de 2010

Portanto se alguém está em Cristo, é nova criação...

Se eu quisesse construir uma fórmula mágica para a Felicidade, eu faria parar o mundo numa manhã de domingo, como a de hoje.
O ser humano é tão sedento de Amor, que vive num constante esforço de procuras pessoais numa universalidade extremamente complexa, por crer na sua intangibilidade.
E na verdade nós somos esse grande tesouro. Cada um de nós é a personificação desse novo mandamento que Jesus trouxe à terra:
" Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e ao teu próximo como a ti mesmo". Esta é a nossa essência.
Mas perdemo-la nos caminhos tortuosos da vida, feitos mágoa, por nos afastarmos desta identificação com a própria vida de Jesus. Esquecemo-nos que o amor de Deus é incondicional ( mesmo na dor) e desacreditamos completamente no amor fraternal, quando reinventamos uma forma de vida ajustada às nossas vontades mais primárias, autoproclamando os nossos direitos egocêntricos de cidadão universal.
Construímos a insatisfação e alimentamo-la em vez de a banirmos das nossas vidas.
Se fecharmos os olhos um pouquinho e no silêncio pudermos ouvir o que o nosso coração nos pede, ouviremos tão somente a palavra Amor. E baralham-se-nos os sentidos por termos já experimentado tantos amores e não estarmos saciados. Porque não há volta a dar... nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus e é com Ele que temos de caminhar.
A escolha não é fácil, é uma tomada de decisão muito solitária, que mexe com toda a nossa envolvência e nos expõe. Mas tem uma coisa maravilhosa! tira-nos daquele estado de afasia, onde o entendimento atrapalha a linguagem a justificar-nos, porque o Espírito age por nós manifestando-se.
E cada passo, mesmo o mais pequeno que dermos na Sua direcção, é como uma barrela que fazemos à nossa alma. E este branquear, esta lavagem de espírito é um renascer contínuo para a caminhada eterna.



maria

**************************************************

sábado, 24 de julho de 2010

O MEU PRÍNCIPE ENCANTADO !

Ah! como eram doces as tardes de Agosto da minha meninice.
Quando a morna sesta da tarde, tirava de mim os olhos, já meus passos iam longe, por entre as flores silvestres, nos carreiros de urze e ainda rosmanos, um pé à frente e outro atrás e o coração leve como um pássaro longe da gaiola.
Que me chamassem ou me saudassem, eu nem os ouviria !
Equilibrava-me nos pequenos muros , caminhando sobre eles como vagão sobre carris. Assim ficava mais fácil ao teu olhar, pensava.
Tu eras o meu norte. Caminhava para ti como quem é muito esperada e às vezes a sorte dava-me a mão. Mas outras, tantas, o sol abrasava o meu rosto até à compaixão e tu não vinhas...
Sentava-me então junto ao ribeiro e sonhava-te...poderia dizer-te, quantas borboletas brancas te anunciaram, quantos pintassilgos alegres ali vieram beber, quantas margaridas singelas desfolhei por ti... mas a tarde corria naquelas águas límpidas de antão e levava os meus quereres.
Desesperava-me, lá longe, o som do campanário por tu tardares, mas o desejo de te ver arrastava as horas até ao meu limite. Não raro, a brisa calma do entardecer chegava bem antes de ti e esmurecia o meu fulgor. A sesta durava até às Trindades e era tempo de eu voltar...
Dizias às vezes por graça:
" - Vai, antes que te transformes em abóbora!"
E os dois ríamos felizes, numa obediência inquestionável e gratuita.


maria


imagem: ( reprodução ) Psique entrando no jardim de Cupido-John W. Watherhouse


**************************************************

terça-feira, 6 de julho de 2010

R A B I S C O S





Tens razão,


Tu és o Poeta e o poema


As mãos vazias nos bolsos do bibe


O Não solto na primavera de 68


O quadro de honra do dever cumprido


A cor da verdade que te fez Gente.


Eu sou apenas a Palavra,


Que se esgueira pela ramagem


Depois dos frutos maduros


Nada mais, que a palavra fugaz


Que ri, que chora, que se afoita


E que finge...




maria


**************************************************