segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A FONTE DOS AMORES




As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram, que inda dura
Dos amores de Inês, que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores

Lusíadas, canto III

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E as lágrimas de Inês calaram-se; Mas as Ninfas choraram até ao último suspiro de Pedro.
O Mondego abriu os braços à exaustão.
Santa Clara carpiu memórias de amor e de paixão e enlutou-se de dor.
Os encantos de Pedro foram cruelmente arrancados ao seu pecado, e a loucura tomou lugar.
Os doces olhos de Inês, mergulhavam-no ainda, na mais sublime forma do ser, o Amor, mas os momentos de transcendência passional que experimentaram, eram já mágoas de raiva e sede de vingança, que fervilhavam nas veias.
Suspensa a ira nas promessas de amor que jurou cumprir, o infante, pai e viúvo de amores sofridos, espera no tempo a coroação da sua "Rainha".
As gentes condoeram-se de tamanha pena, e sublimaram-na em cumplicidade penitencial, naquele que haveria de ser rei..
A fonte dos amores ainda chorava.
O sangue que Inês derramou no Mondego, corria ainda, leito fora.
O Justiceiro, feito rei, vingou a Morte, reacendeu a Paixão, coroou o Amor, amortalhou-O em Alcobaça, e diz a lenda que o povo veio beijar a mão daquela, que foi a rainha mais amada em Portugal.


maria


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